DO DIREITO PARA A MÍDIA SOCIAL: O QUE DIRIA MEU MAPA ASTRAL?!

 

Por mais que muitas pessoas estejam acostumadas a me ver treinando, correndo ou falando sobre comida, a verdade é que a minha formação acadêmica é jurídica. Sou formada em Direito há mais de dez anos, pós-graduada em Direito Público pela Escola da Magistratura Federal e meu sonho, por muito tempo, era virar uma juíza estadual.

Embora tenha ingressado na faculdade com a intenção de ser advogada, espelhando-me no meu pai, desde o primeiro semestre comecei a estagiar em órgãos públicos. Trabalhei no Juizado Especial, na Assembleia Legislativa do Paraná e também no Ministério Público. Curiosamente, atuei em escritórios de advocacia por poucos anos e nunca trabalhei diretamente com meu pai. E isso me fez mudar um pouco de rota e enxergar o funcionalismo público como o caminho certo a trilhar.

Quando comecei meu estágio no Ministério Público, jurava que atuaria na área criminal. Aliás, grande parte dos estudantes de Direito, quando começam o curso, sonham em atuar nessa área. Porém, para a minha surpresa, o local onde estagiaria era restrito às áreas de registros públicos, Direito de Família e Infância e Juventude. Lembro como se fosse ontem de ter mentalmente me perguntado o que estava fazendo lá.

O mundo deu voltas e eu, Paola, não só me apaixonei por essa área, especialmente de Direito de Família, como depois de terminar o estágio e trabalhar em outros lugares, me tornei assessora jurídica no Ministério Público por oito anos. Na época da minha nomeação, nem passava pela minha cabeça mudar de ramo. Me sentia confortável com meu salário, equilibrava a jornada de trabalho com estudos para concurso e focava na carreira da Magistratura.

Meu crachá que representa a fase anterior no MP. Muito aprendizado e decisões importantes

Até que, em 2017, o mundo começou a dar voltas novamente.

Resolvi começar a postar um pouco da minha vida no Instagram. Usei meu perfil pessoal que, na época, tinha no máximo 500 seguidores, para falar um pouco da minha paixão pela corrida. Seguia algumas mulheres que me inspiravam tanto com sua rotina de treinos, alimentação regrada e disciplina, que queria fazer o mesmo para as pessoas que me acompanhavam.

O que começou na brincadeira, virou trabalho. No decorrer dos últimos anos, meus seguidores aumentaram para mais de 180 mil – número que jamais pensei em alcançar -, tive a oportunidade de trabalhar com várias marcas grandes e que amava há muitos anos. Até um convite para correr a Maratona de Nova York surgiu no meio disso tudo. Era uma loucura equilibrar minha rotina de trabalho no MP (batia ponto de oito horas por dia), a produção de conteúdo para o Instagram, viagens a trabalho e eventos quase todos os finais de semana, fora a rotina de treinos, elaboração das minhas marmitas e etc. Minhas noites de sono não costumavam passar de seis horas.

Com o tempo também vislumbrei a possibilidade de ser remunerada por aquilo que fazia nas mídias sociais. É claro que não me dava o mesmo “conforto” que um salário fixo depositado mensalmente em conta, mas, de outro lado, me preenchia por dentro. Vi que o concurso público havia perdido o sentido para mim. Vi que a intenção que tinha em virar juíza e ajudar diversas famílias casuisticamente poderia ser ampliada fazendo uso das mídias sociais. Percebi que tinha uma grande vontade de encabeçar meu papel como comunicadora e criadora de conteúdo digital.

Quando me dei conta disso me surpreendi de novo, sabe por quê?! Na época em que estudava para concurso, me dava frio na barriga só de imaginar quando tivesse que encarar a “terceira fase” da prova, quando você é oralmente examinado por uma banca. Nunca fui aquela aluna que amava apresentar trabalhos para a sala ou gostava de debater com os professores. Até que a vida me presenteou com a comunicação diária para milhares de pessoas e comecei a gostar disso. Comecei a gostar de me conectar com os outros, mesmo que desconhecidos. Comecei a gostar de falar para o público e cheguei a participar de palestras e workshops sem desmaiar no palco.

É curioso como podemos desenvolver habilidades que até então julgamos não ser capazes de ter. Por muitas vezes deixamos de valorizar o nosso potencial, restringimos a nossa visão por medo ou julgamento alheio e nos mantemos na zona de conforto.

Resolvi estabelecer uma meta para sair do funcionalismo público. Demorei mais de um ano para conseguir fazer isso. Na minha visão precisava do apoio da minha família, dos meus amigos ou até mesmo de quem me acompanhava. Mas, na verdade, precisava apenas da minha própria validação. Na minha mente rondeavam pensamentos de que se me desprendesse do meu cargo público não seria mais tão capaz. Não seria mais tão produtiva. Me tornaria apenas mais uma “blogueira fitness”, como muitos gostam de chamar com uma conotação de desvalorização, inclusive.

Apenas com muito autoconhecimento consegui me desprender dessa crença limitante. Fiz sessões de terapia, cursos, li muito, conversei muito e refleti muito. Mesmo com o frio na barriga pela ausência de um salário fixo mensal, cheguei à conclusão de que lutava por um propósito que era meu e valia a pena. Se alguém não entendesse a razão da minha escolha, não me importava mais, porque eu entendia.

Me estruturei por meses, tinha uma reserva segura caso passasse algum tempo sem nenhuma entrada financeira, alinhei novos investimentos. Decidi a data de saída, conversei com meu chefe – que não só me entendeu, como me apoiou muito -, protocolei meu termo de exoneração, chorei como se não houvesse amanhã e fui, sem olhar para trás.

Minha despedida do MP. A tomada de decisão veio um pouco antes da pandemia. O mundo girou e ficou de ponta cabeça. Aqui estamos!

O mundo girou, de novo, e ficou de ponta cabeça. Veio a pandemia, o cancelamento de todos os eventos que tinha na agenda, a interrupção de alguns contratos, a diminuição do valor de outros, a impossibilidade de treinar fora de casa pelo isolamento social, uma montanha-russa emocional, a falta de rotina (o que me deixa maluca!), uma perda expressiva nos meus investimentos e, de brinde, uma apendicite. Ah, sem falar que o Ministério Público, meu antigo local de trabalho, passou a funcionar em sistema de home office.

“Quer dizer que você se arrependeu de ter mudado, Paola”? De forma alguma. Teria feito de novo. A pandemia seria mais um – talvez um pouco inusitado – empecilho. Minha escolha me trouxe muitas dificuldades, mas me abre portas diariamente, principalmente de aprendizado. A gente cresce na dor, quando a situação aperta ou não estamos mais no conforto.

Não sei o quanto vocês acreditam em astrologia – também não acreditava muito e até hoje esqueço meu ascendente hahaha -, mas na minha busca por autoconhecimento fiz o meu mapa astral e duas vezes a revolução solar. Em todas as oportunidades nunca apareceu uma linha sequer sobre ‘concurso público’, mas em todas elas, mesmo antes de tomar a minha decisão e decidir pela mudança de carreira, estava lá a energia da comunicação.

Talvez a minha escolha não tenha ocorrido no momento mais positivo do cenário mundial. Contudo, acredito fielmente que tenha acontecido na hora certa, na minha hora…

E para quem super acredita na força dos astros, ou para quem é cético como eu era, escuta o bate-papo maravilhoso que tive com a Taty (@soultaty). Ela é astróloga e, assim como eu, largou sua carreira jurídica para se dedicar ao seu propósito de vida. Será que o nosso caminho está todo trilhado no mapa?! Será que recebemos sinais de quando é a hora de mudar?! Tenho certeza que essa conversa te inspirará a acreditar na possibilidade de mudar e, principalmente, em acreditar em si próprio.

Ouça o bate-papo completo com a Taty no Episódio #8 – Diretamente do funcionalismo público para as mídias sociais: estaria isso escrito nas estrelas?!

 

2 thoughts on “DO DIREITO PARA A MÍDIA SOCIAL: O QUE DIRIA MEU MAPA ASTRAL?!

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